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Desenvolvimento e crescimento urbano inteligente e sustentável

Fazia tempo que eu tava devendo um post aqui sobre algumas coisas que andam acontecendo cá por essas bandas e ainda não tive tempo de comentar. Bom, lá vai:

Santa Bárbara d’Oeste (SP) é a 45ª melhor cidade do país
Segundo uma pesquisa recente da Firjan, minha querida cidade natal ocupa, hoje, uma ótima posição no ranking de melhor cidade do Brasil. Foram analisados três pontos principais que nortearam toda a pesquisa, realizada em nível nacional: emprego e renda, educação e saúde. Bom, vamos ao que interessa: SB ficou à frente de cidades como São Paulo (92º), Uberlândia (103º) e Florianópolis (123º); porém, entre as cidades da região, acumulamos uma amarga perda –Americana ficou em 13º lugar; Hortolândia, 13º; e Campinas, 39º. Realmente há muito ainda a se fazer se quisermos alcançar patamares superiores ao que hoje obtivemos. Há, sim, investimentos sendo feitos em infra-estrutura como recapeamento de praticamente 100% da malha asfáltica da cidade, criação de corredores de acesso, como o da antiga “estrada do japonês”, que liga zona sul e norte da cidade em poucos minutos, que tendem a desafogar o trânsito em pontos mais críticos como Rua XV de Novembro e Duque de Caxias, no Centro, e avenidas principais da Zona Leste, como av. da Indústria e av. do Comércio.

Também houveram avanços na área da educação na cidade. As escolas mantidas pela prefeitura (de 1ª a 4ª série) são organizadas, os professores são bem remunerados, o lanche das crianças é de qualidade e há livros e bibliotecas suficientes para atender à demanda dos pequeninos.

Na área de saneamento e abastecimento de água, SB se orgulha, hoje, em ter cerca de 70% do esgoto produzido tratado e ainda ajuda cidades vizinhas que não dão conta, como acontece com Americana. Temos água garantida para 10 anos, considerando índices de crescimento acima do que temos hoje. Ou seja: água não falta.

Agora vamos aos pontos críticos: temos um déficit habitacional de 10 mil residências. Exatamente. Dez mil famílias hoje não têm onde morar (o caso do acampamento Zumbi dos Palmares, na av. Antônio Pedroso) e outras vivem em fundos, casas de aluguel e coisa que o valha.

Saúde. A situação nesse ponto é extremamente crítica. Postos de saúde não têm médicos o bastante. O pronto-socorro central, mesmo após a mudança de prédio acumula críticas desde sua inauguração: intermináveis horas em filas de espera, falta de medicamentos e médicos… No hospital municipal faltam leitos e (novamente) médicos, que se recusam a aceitar trabalhar nas unidade públicas de saúde da cidade porque os salários são muito baixos. No caso da unidade modular Dr. Afonso Ramos, na ZL, temos uma solução que pode se tornar um problema se não for bem administrada. O governador José Serra (PSDB) anunciou liberação de verba para construção do Hospital Dia, que vai funcionar como um braço do Hospital Estadual de Sumaré (mantido e administrado pela UNICAMP) a fim de realizar cirurgias rápidas, que não necessitem de internação e possa, assim, desafogar o pronto-socorro e hospital central. Ótimo. Porém, a unidade vai atender DEZENAS (isso mesmo) de cidades da região. Não sabemos ao certo como isso vai funcionar, nem o que esperar.

Transporte. A situação é absolutamente CATASTRÓFICA, CAÓTICA, ABSURDAMENTE RIDÍCULA. Sem exageros. Uma pesquisa recente da Viba (viação que explora o transporte público na cidade há décadas) mostra que a empresa perdeu o equivalente a 22 milhões de reais, com passageiros que utilizaram o transporte metropolitano, explorado pela Ava (de Americana). Nos jornais, o diretor de operações da empresa destrinchou comentários ressentidos quanto ao montante absurdo que a empresa perdeu em todos esses anos de transporte deficitário, caro e ineficiente.

Bom, vamos às soluções. Primeiro: A Ava não pode fazer linhas dentro de bairros da cidade. Isso é lei e não tem discussão. O transporte metropolitano pode operar linhas somente de Terminal Urbano para Terminal urbano, nesse caso, do Terminal de Americana para o Terminal de Santa Bárbara. Só. Não tem essa de colocar linhas e mais linhas em bairros da ZN e ZS com ligação direta ao Terminal de Americana.

O que pode ser feito então? Antes de mais nada regulamentar o transporte metropolitano para que as empresas operem somente linhas que elas são autorizadas a operar. Ponto. Depois será preciso criara um transporte URBANO integrado com linhas METROPOLITANAS, em terminais próprios para esse fim. No caso, criação de um Terminal Urbano decente no centro da cidade e outro para interligações com linhas suburbanas na Zona Leste (ao lado do novo prédio da rodoviária, talvez?) com bilhete único. Ou seja, tira-se a Ava dos bairros da cidade, coloca-se uma empresa local explorando as mesmas linhas para não haver queda no serviço, pois quase 100 mil pessoas residentes nas duas áreas da cidade dependem do transporte metropolitano diariamente.

Dessa maneira teríamos: dois terminais urbanos (centro e ZL) integrados com linhas metropolitanas. Simples? Não. Mas é o único jeito de acabar com essa palhaçada que é o transporte público em Santa Bárbara.

Atenção extra para o transporte alternativo (moto-táxis, vans…). Essa não é uma opção que pode ser descartada logo de cara. É preciso alinhar crescimento e desenvolvimento urbano com políticas públicas inteligentes que façam com que a cidade cresça de maneira sustentável.

É isso.