GRUPO O LIBERAL: Por que o senhor quer ser prefeito?
MÁRIO HEINS: Desde que me mudei para Santa Bárbara, minha atividade na cidade foi muito participativa. Fui diretor-clínico do Hospital SB. Não consegui mais me afastar da vida pública. Fui secretário de Saúde…
GRUPO O LIBERAL: Qual a expectativa em relação ao transporte público?
MÁRIO HEINS: Ele está muito precário. Entendo que ele deve ser totalmente remodelado. Temos de integrar as empresas de Americana com a Viba, de Santa Bárbara. Entendo que a criação de um corredor intermunicipal é fundamental para que o cidadão tenha um transporte de qualidade. E a criação do bilhete único. E não é uma questão de recursos, mas de organização. O que falta em Santa Bárbara hoje é gestão.
GRUPO O LIBERAL: O senhor é a favor do transporte alternativo?
MÁRIO HEINS: Ele tem crescido muito em algumas cidades, mas também cria alguns problemas. Em Botucatu, um vereador criou um projeto de lei que se chama transporte-saúde. Todo cidãdão que fica doente recebe do Poder Público um número de bilhetes. Mas isso só é possível se houver um transporte público organizado e operando.
GRUPO O LIBERAL: Como seria o corredor intermunicipal?
MÁRIO HEINS: O corredor teria um terminal no Centro da cidade. Outro na Zona Leste, perto do shopping. E o corredor iria até Americana. Queremos ônibus nos bairros de 20 em 20 minutos e no corredor de cinco em cinco minutos. Tecnicamente, isso é perfeitamente viável.
GRUPO O LIBERAL: Qual a opinião do senhor sobre o asfalto da cidade e o que o senhor mudaria?
MÁRIO HEINS: Ele realmente se deteriorou de uma maneira mais rápida do que o previsto. Foi feita uma boa parte do recapeamento. E continuaremos com esse trabalho. Acho que é fundamental essa preservação. Hoje vivemos no império do automóvel. Ninguém vive sem asfalto no mundo moderno.
GRUPO O LIBERAL: A que o senhor atribui a não vinda da Toyota a Santa Bárbara.
MÁRIO HEINS: Não estou no governo. Minha equipe toda lamentou, porque tudo melhoraria. Infelizmente, nós perdemos. Como no passado perdemos outras empresas.
GRUPO O LIBERAL: Como o senhor vê a guerra fiscal – dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal – e como atrair mais empresas para o município?
MÁRIO HEINS: A guerra fiscal baseada no ICMS é extremamente prejudicial. Agora a guerra fiscal entre municípios, acho salutar. O município deve se empenhar de forma intensa na atração de empresas. Piracicaba oferece terrenos industriais a custo de R$ 20 o metro quadrado. Em Santa Bárbara esse valor vai de R$ 200 a R$ 400 o metro quadrado. Que empresário vai parar aqui? É preciso fazermos um distrito industrial com parceira público-privada. Temos inúmeras empresas que saíram de Santa Bárbara e foram para Piracicaba, Capivari, Limeira…
GRUPO O LIBERAL: De que maneira o senhor pretende contribuir para que os jovens recém-formados tenham lugar no mercado de trabalho?
MÁRIO HEINS: Pretendo ampliar os cursos técnicos, fazer mais escolas. Outra coisa importante é o modelo educacional. Nas escolas Cieps, modelo proposto pelo PDT, há o ensino em período integral. Estamos assistindo a uma gestão que primou pelo embelezamento da cidade. Canteiros limpinho, troca de alambrados… Será que isso é prioridade? Há recursos para Cieps. Educação será prioridade.
GRUPO O LIBERAL: Como ocupar o vazio que há entre a Zona Leste e o Centro da cidade? Esse é um grande desafio?
MÁRIO HEINS: Não, não acho que é um desafio. Na medida em que os proprietários dessas áreas verem o valor econômico que essas terras têm, investirão. O município terá de dar as diretrizes para o crescimento organizado.
GRUPO O LIBERAL: Na área do lazer para os jovens, quais os projetos?
MÁRIO HEINS: Pretendemos ampliar as oficinas de artes nos Cieps, com dança, pintura. Nesse espaço cultural, mais as áreas esportivas, pretendemos construir os Cipes para que os espaços possam ser utilizados nos finais de semanas.
GRUPO O LIBERAL: Santa Bárbara não tem área para descarte de entulho de construção. O que fazer? E sobre o lixo doméstico, qual sua proposta?
MÁRIO HEINS: A questão do entulho foi agravada nos últimos anos até pela questão do desenvolvimento econômico de nosso País. Tem de ser construída uma usina de reciclagem. O material gerado pelo entulho é útil. Pode ser utilizado, e não enterrado no lixão. É uma questão de organização. Sobre o lixo doméstico, a solução ideal são usinas para processamento do lixo. Há diversas tecnologias para resolver isso. O exemplo que eu mais cito é uma tecnologia européia. Uma usina que separa tudo o que é reciclável. Depois, compacta o lixo em prensas de altíssima pressão em peças quadradas que podem ser armazenadas por até dez anos sem dano para o meio ambiente. A água sai tratada e potável. E cada quilo de lixo compactado gera três vezes mais energia que o quilo de carvão vegetal. Vamos preservar florestas. O que precisa para isso? Precisamos fazer um consórcio intermunicipal e há linhas de crédito para isso.
GRUPO O LIBERAL: Quais seus projetos de abastecimento para a cidade? E como o senhor vê o trabalho do DAE?
MÁRIO HEINS: Não existe nenhuma possibilidade de privatização do DAE. Ele é um patrimônio do povo. A questão do abastecimetno está bastante adequada. Existem pontos isolados que estaremos melhorando.
GRUPO O LIBERAL: Santa Bárbara trata parte do lixo de Americana. Como o senhor vê isso?
MÁRIO HEINS: Essa questão tem de ser tratada conjuntamente. Temos de ter uma relação de irmãos.
GRUPO O LIBERAL: Fale da questão da saúde em Santa Bárbara.
MÁRIO HEINS: A questão da saúde é caótica em Santa Bárbara. O povo não consegue consultas. Saúde é urgente. A questão da intervenção na Santa Casa, sabemos que envolveu um gasto público considerável e não se aumentou o número de serviços prestados à população. Acho estranho gastar o dinheiro e não ter aumento no serviço. Sobre a criação do Hospital Dia, acho que o atual governo se livrou de tratar a população, porque o hospital será regional, como é o de Sumaré. Se entregarmos o nosso hospital, que foi construído na gestão em que eu era secretário municipal… Passaram uma tinha por fora e falam que está reabrindo… Na minha opinião, o governo se livrou da obrigação de manter o hospital. Será que Santa Bárbara não tem condições de assumir um hospital que é bem menor que o de Americana? Nós teremos um Hospital Municipal. Chega de barbarense ter de vir a Americana e mentir o endereço para ser atendido.
GRUPO O LIBERAL: E em relação aos postos médicos?
MÁRIO HEINS: Saúde é um problema mundial. Não é questão de recurso, mas de modelo. O atual, é igual a uma receita de bolo que não cresce. Tem de ser delatado. Existe um ponto principal na Saúde, que acho que é o norte de todo aquele que quer melhorar o atendimento. O sistema tem de restabelecer a relação médico-paciente. O médico tem de ser uma pessoa querida pela população. Nossa proposta é o PSF, já implantado em muitos municípios de nosso País e restabeleceu o vínculo do médico com a família e o respeito mútuo. PSF você divide a cidade em núcleos de seis mil habitantes. O médico terá uma demanda baixa de consultas. Então ele atende no posto e ainda vai nas casas para ver os paciente que estão acamados, que são idosos… E o médico tem uma obrigação: ele é um promotor de saúde e não aquele que atende apenas doença. Em todos os lugares onde o PSF foi implantado se nota o bom relacionamento com a população. E é perto de todos. Hoje os postos são muito distantes.
GRUPO O LIBERAL: Criando núcleos de seis mil habitantes, seriam umas 30 unidades de PSF. Há recurso para isso?
MÁRIO HEINS: Há sim. Hoje, implantou o PSF, faturou, o Ministério da Saúde manda recursos…
GRUPO O LIBERAL: Americana e Santa Bárbara não são próximas em resultados esportivos. O que se pode fazer pelos esportes de competição e de base de Santa Bárbara?
MÁRIO HEINS: Não acho que o resultado em termos de competição seja o fundamental. Estaremos investidos no fomento do esporte em nossa cidade. Não adianta ficar contratando atleta de fora e deixando de investir em valores de seu município só para obter medalhas. Temos de investir no povo de nossa cidade.


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